domingo, 31 de agosto de 2008

Guilherme Tell

Rossini - Abertura de Guilherme Tell (Parte 1)

(IN)SEGURANÇA

Acumulam-se as vozes dos que acham que é necessário rever as novas leis penais em vigor desde o ano passado. Recorda-se que essas leis surgiram na sequência de um acordo entre os maiores partidos, pelo que recolheram uma ampla maioria parlamentar.

É certo que era necessário rever o sistema de prisão preventiva, já que Portugal era o país europeu com maior percentagem de presos preventivos.

É certo que os novos prazos processuais obrigam a uma maior celeridade de quem investiga.

É certo que as garantias obrigam as forças policiais a um maior conhecimento da lei e a alterar muitos procedimentos.

O caminho não é dar meia volta como muitos querem.

Depois de escolher um novo quadro penal completamente diferente do anterior, não vale atirar as culpas do sentimento geral de insegurança para as novas leis.

O que se exige é fazer cumprir as leis que aliás foram adoptadas de livre vontade e dotar as polícias dos meios necessários para as fazer cumprir, além de igualmente proporcionar às autoridades judiciais a efectiva capacidade de executar o que está definido.

O que está em causa é tão-somente isto.

Curiosamente, o responsável máximo pela elaboração do novo quadro penal é hoje ministro da Administração Interna, cabendo-lhe a ele concretizar o que idealizou. Por esta razão não tem desculpas para falhar, sendo sua obrigação saber muito bem que o novo quadro penal não se coaduna com a anterior organização policial e judicial. Se não havia meios para implementar as novas leis não se avançava. Agora não há recuo: a prova estará no próximo Orçamento Geral de Estado que deverá prever verbas para toda esta reorganização, sob pena de o país se poder tornar na Chicago dos anos 30 em pleno século XXI.

As medidas especiais avançadas pelo procurador-geral da República não podem ser pontuais. Deverão antes ser vistas como o início de toda a reorganização do Estado para segurança de pessoas e bens, a qual aliás já deveria estar em andamento.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

DE CONGRESSO EM CONGRESSO ATÉ AO SUICÍDIO FINAL?

Os jornais começam a referir com alguma insistência que militantes do PSD da zona Norte do país andarão a preparar o necessário para pedir um novo Congresso do PSD. De acordo com essas notícias, serão militantes ligados a Filipe Menezes.
Lê-se e não se acredita.
Filipe Menezes foi eleito há um ano para a presidência do PSD com uma maioria confortável.
Seis meses depois, resolveu demitir-se e convocar novas eleições directas. Quando tudo levaria a pensar que se candidataria de novo para se poder apresentar com uma nova e forte legitimação perante os seus críticos não se recandidatou, deixando mesmo os seus próprios apoiantes estupefactos. Isto é, em vez de se tentar apresentar como um líder forte, que perante as críticas não tem receio de ir a votos, fugiu pela saída baixa. Garantiu que até ao próximo ano não falaria sobre a nova liderança entretanto eleita na sequência da sua desistência.
Esqueceu-se do que disse e já anda pelos jornais a tecer críticas a Manuela Ferreira Leite, quando ele será o último militante do PSD a ter credibilidade para o fazer.
Pelos vistos isso não lhe chega e trabalha para destruir a nova liderança que tem tanta legitimidade para orientar os destinos do PSD como ele próprio teve até desbaratar todo o capital de confiança que lhe foi entregue.
Isto começa a ultrapassar todos os limites. Se o PSD não se conseguir ver livre deste tipo de actuações, terá o destino que o povo em eleições livres certamente lhe dará: a mais total e completa irrelevância para os destinos do país.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

PIENSA EN MI

Secção de discos pe(r)didos.
Luz Casal

BACH

Convém nunca nos afastarmos muito do MESTRE.
João Carlos Martins toca o Prelúdio e Fuga nº 1.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

TINTA PERMANENTE

Pelos vistos, não estou tão sozinho como isso no gosto de escrever com caneta.
No Blogue Atlântico, Henrique Raposo recuperou um escrito de Francisco José Viegas:
Escrever à mão

"... Há um prazer raríssimo na caligrafia, no desenho da letra, na própria escolha da cor da tinta permanente (preto, azul ultramarino, azul escuro, sépia), na preparação do acto propriamente dito: o estojo com as canetas, os blocos ou cadernos, o cinzeiro e as recargas ou tinteiro. Curiosamente, foi num desses quartos de hotel que reaprendi a escrever à mão, com maiúsculas e minúsculas, sublinhando, desenhando setas, reenvios.

Um dia dirão que é anti-planeta gastar papel nestas coisas."

NOITES DE VERÃO

Aqui recoloco uma boa música para as noites de Verão:

2ª Valsa de Shostakovich

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

GEÓRGIA, RÚSSIA E EUROPA




No início deste Agosto que, ao contrário do que alguns ambientalistas nos avisaram, tem sido entre nós dos mais frios dos últimos anos, na outra extremidade desta Europa que teima em não ultrapassar a História eclodiu uma guerra, para espanto de muitos.
Aquela Geórgia que os antigos Gregos, por estarem aproximadamente equidistantes de uma e outra, chamavam de Ibéria oriental foi invadida pela Rússia, originando uma guerra que se saldou em milhares de mortos e no habitual cortejo de sofrimento das populações civis.
Recordo alguns factos:
- Quando em 1989 a União Soviética implodiu, e em consequência vários países que a integravam se tornaram independentes, a Geórgia foi um deles, tendo a região chamada Ossétia ficado dividida, entre a Ossétia do Norte, russa, e a Ossétia do Sul, georgiana.
- Nessa altura a Ossétia do Sul, com apenas 3.900 km2 e 70 mil habitantes, também se proclamou independente, mas os separatistas acabaram por assinar um cessar-fogo com a Geórgia em 1992.
- Quando a Ossétia do Sul proclamou a sua independência, nenhum país membro da Organização das Nações Unidas, incluindo a Federação Russa, a reconheceu como tal, continuando a ser considerada como parte integrante da Geórgia.
- A Geórgia é atravessada pelo único “pipeline” da região que não é controlado pela Rússia; este oleoduto vindo do Azerbeijão passa a sul da capital Tbilisi, entrando de seguida na Turquia, evitando o território da Arménia.
- A Geórgia pediu a sua adesão à NATO, estando o pedido pendente, após uma primeira recusa em Março deste ano pelos votos contra da Alemanha e da França.
Foi neste contexto que, após meses de extrema pressão militar por parte da Rússia, o presidente da Geórgia mandou avançar as forças armadas do país para controlar o território da Ossétia do Sul, que faz parte integrante da Geórgia. De imediato a Rússia invadiu não só a Ossétia do Sul mas grande parte do território da Geórgia, bombardeando alvos civis, incluindo a cidade de Gori.
Com muita lentidão, a União Europeia lá acabou por reagir, tendo havido conversações que se espera que venham a conduzir à retirada total das forças russas do território georgiano.
Curiosamente, esta agressividade russa que significa o ressurgimento do velho urso russo após o fim do período comunista, foi entre nós saudada com alguma satisfação e manifestações de apoio por parte de antigos “compagnons de route” da ex-URSS. Desenganem-se: não são os velhos camaradas a regressar, apesar do passado KGB de Putin, mas o velho imperialismo russo que se pretende afirmar, bem anterior ao período soviético, fundamentalmente através da reconquista territorial do que entende ser a sua “área de influência” e da dominação energética da União Europeia.
A maneira como a União Europeia resolver esta questão virá a influenciar de forma decisiva o seu futuro, talvez muito mais do que o futuro do Tratado de Lisboa. Os europeístas deverão estar unidos e perceber a estratégia energética da Rússia que compra muitos aliados dentro da UE, designadamente através da Gazprom, como o triste caso do ex-Chanceler alemão Gerhard Schröder exemplifica.

Publicado no Diário de Coimbra em 25 de Agosto de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Entrevista a ler

Entrevista interessante de Manuel Antunes no DN de hoje.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

CRESCIMENTO

É um facto bem conhecido que a economia portuguesa tem uma resiliência maior do que as congéneres europeias.
Isto é, as recessões exteriores demoram mais tempo a entrar na economia portuguesa e são geralmente atenuadas, com a correspondente contrapartida de demorarem mais tempo a desaparecer e nunca se verificar uma recuperação tão forte como lá fora.
Há quem diga que boa parte da responsabilidade desta situação se deve à forte percentagem de economia "paralela", o que até dá jeito neste momento em que se pode dizer que a nossa economia se aguentou. O pior é depois quando a recuperação é frouxinha face aos outros.
Haja quem reverta esta situação, não é Eng. Cravinho?

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

VALENTE VANESSA

Felizmente para ela e para nós, Vanessa Fernandes foi igual a si própria e levou a prata.
O Secretário de Estado do Desporto voltou logo à vida e logo com um comentário de excepcional bom gosto perante quem teve um brilhante 2º lugar nas olimpíadas, ao comparar o feito a um "doping positivo e natural". Fica bem ligar uma vitória a doping. Sem comentários.

ÉTICA E POLÍTICOS

Nestes tempos em que o pragmatismo parece sobrepor-se até mesmo às opções ideológicas, que lugar restará para a Ética na política?
Em termos simplistas, pode colocar-se a questão da Ética na consideração de haver ou não dicotomia entre Felicidade e Virtude na actividade política.
Pode um político ter sucesso (ganhar eleições) e exercer o poder, qualquer que seja o tipo de poder, e ser simultaneamente “boa pessoa”?
Esta questão não é nova, acompanhando desde sempre a história das organizações humanas, e tendo sido claramente documentada pelo menos desde a Grécia Antiga. Nesses tempos, enquanto Pitágoras afirmava que ter sucesso é diferente de ser boa pessoa, Sócrates defendia que “para ser feliz, tenho que ser boa pessoa”.
Todos nós conhecemos igualmente a ideia generalizada de hipocrisia associada à actividade política. Já no século XIX, um célebre caricaturista português apresentava a política como uma porca que amamentava muitos bácoros. E também nos nossos dias encontramos políticos que fogem à verdade, ou não a contam toda, o que acaba por ser o mesmo; outros prometem mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir as promessas e há ainda os que, com métodos mais ou menos sofisticados, mais não fazem do que comprar votos.
Ao contrário de outras actividades, a política não é regida por normas especiais, que apenas existem para regular o exercício de determinados cargos. Por isso, é frequente ouvir políticos de grande responsabilidade dizerem que, para si, a ética é a lei da República. Assim sendo, para estes políticos o que não é ilegal é aceite por eles, pelo menos no que lhes interessa.
No fundo, é a própria consciência dos políticos que determina se a sua acção se desenvolve dentro de regras éticas (que sim, existem e decorrem mesmo da lei natural), ou não. E normalmente essa consciência torna difícil que alguém consiga separar as suas vidas, sendo “boa pessoa” na vida particular e falho de ética na pública, ou vice-versa.
Em resumo, se a política não tem um código de conduta ética, é absolutamente crucial que os políticos disponham, antes de o serem, de uma consciência que os informe sobre o carácter ético das suas acções. Já os eleitores deverão ter em consideração este aspecto nas suas escolhas, para não virem depois a sofrer grandes desilusões.

Publicado no Diário de Coimbra em 18 de Agosto de 2008

domingo, 17 de agosto de 2008

BOTA NO PONTAL

Depois de ler as declarações de Mendes Bota no Pontal, fiquei com a certeza absoluta de que Manuela Ferreira Leite fez muito bem em lá não ter posto os pés. Não é porque o PSD queira ser um "partido de universitários" mas por uma questão de pura higiene mental.

JOGOS OLIMPICOS

Estes Jogos Olímpicos de Pequim não têm corrido bem a Portugal por diversos motivos. Não falo dos resultados dos atletas e da falta de medalhas. O desporto português é o que se sabe e as medalhas que tivemos no passado, à excepção da vela e do hipismo foram excepções que devem ser vistas como tal. No atletismo foram sempre em corridas de fundo que normalmente são aquelas em que os países mais fracos em termos desportivos, como os africanos, ainda têm algumas hipóteses.
Os nossos atletas olímpicos deveriam ser olhados como heróis por lá terem conseguido ir, sendo essa participação o cume das suas carreiras.
Mas não.
Na sequência do orgulho nacional idiota que nos últimos anos foi suscitado na sequência da Expo 98 no tempo do optimismo insensato do guterrismo, toda a gente se convenceu que somos dos melhores do mundo em tudo. O problema é quando surge o confronto directo, sendo a desilusão sem limites.
Por outro lado, quer muitos políticos quer a comunicação social em geral endeusaram os nossos atletas antes da partida, sendo o insucesso ainda mais visível e frustrante para todos, mas acima de tudo para os próprios atletas. Claro que os políticos que andaram com eles ao colo ficaram sem aquelas fotografias ao lado dos vencedores que dão sempre jeito para irem à boleia do sucesso. Quanto à comunicação social, essa então passa todos os limites. Depois de andarem atrás dos atletas por todo o lado, chegamos ao cúmulo de a RTP colocar uma fila com quatro zeros em medalhas para Portugal quando apresenta os três países com mais medalhas. É verdadeiramente chocante e deveriam ser pedidas responsabilidades ao jornalista que resolveu fazer aquilo.
Tudo isto é lamentável.
À hora em que escrevo ainda há alguns atletas portugueses em prova. Desejo-lhes sinceramente o maior sucesso, para que pelo menos alguns consigam escapar a esta frustração colectiva em que estes Jogos se estão a tornar para Portugal.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

MOTOR DE COMBUSTÃO INTERNA

Este artigo do Economist mostra que o motor de combustão interna ainda está aí para as curvas e que há muito boa gente aos pulos com os "choques tecnológicos" e carros eléctricos que ainda vai ter grandes surpresas. A evolução tecnológica não acontece por decreto, como os soviéticos aprenderam à sua custa.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

VERDADES DE SEMPRE

Excerto da Carta a El-Rei D. João III

Homem de um só parecer,
De um só rosto e de uma fé,
De antes quebrar que volver,
Outra coisa pode ser,
Mas da corte homem não é

(Sá de Miranda, séc. XVI)

CANETAS - escritos de Verão

A informatização galopante da nossa vida tem, por vezes, consequências bem inesperadas.
É assim que muitas profissões passaram a ter tarefas diferentes e mais variadas e até mesmo responsabilidades acrescidas às anteriores.
Por outro lado, quem tinha que escrever muitos textos à mão, como minutas e relatórios, passou a fazê-lo quase em exclusivo directamente no computador.
Significa isso que aquilo que se escreve à mão passou a ter normalmente um carácter próprio e especial, abrindo possibilidades para que essa escrita passe a ter um significado e mesmo prazer próprios. Entra aqui o uso de canetas de tinta permanente cujo tempo muitos julgariam terminado face à utilização massiva das esferográficas anónimas. Curiosamente, a utilização de canetas está hoje praticamente interdita em reuniões profissionais, nas quais são vistas como manifestação de ostentação. O seu uso está assim praticamente limitado a uma utilização apenas pessoal.
As canetas permitem uma escrita muito mais suave, com letra mais desenhada, criando uma relação especial com aquilo que se escreve.
No mundo masculino, há dois tipos de objectos pessoais que se usam muitas vezes sem que as outras pessoas se apercebam da sua utilização. São os relógios e as canetas. Sobre os relógios mecânicos já aqui escrevi bastante e voltarei ainda a esse tema, dado estarem sempre a aparecer novidades em termos de precisão e novas complicações.
Os relógios mecânicos de qualidade são quase todos suíços, como é bem conhecido.
As canetas têm origens mais variadas. Muito na moda ultimamente estão as alemãs MontBlanc. Os meus amigos Arquitectos gostam muito delas, particularmente do modelo Meisterstuck grande que tem um aparo verdadeiramente extraordinário.

As americanas Parker são bem conhecidas de todos nós, não devendo haver ninguém da nossa geração que nunca tenha recebido uma delas como prenda, normalmente associada a algum sucesso da vida académica. Nos últimos anos a marca voltou a produzir o modelo Duofold dos anos 20 do século XX que tem uma laca colorida que lhe dá um encanto especial.

Existem muitas outras marcas com modelos característicos como a Sheaffer e a Aurora, tendo ainda desaparecido outras bem famosas como a Conklin.
Mas a Suíça não podia deixar de ter igualmente uma marca de canetas muito especiais.

A Caran d’Ache, que todos conhecemos desde a infância por causa dos lápis de cores e tintas para desenho, fabrica uma série de instrumentos de escrita dignos de nota, embora a marca não esteja muito na moda no que respeita a canetas. A lapiseira de minas em prata tratada com ródio para não escurecer, é uma clássica pela sua beleza intemporal, muito fina e de secção hexagonal. Já a caneta do modelo Léman, embora pesada em comparação com as rivais tem uma precisão de construção e de acabamentos bem suíça. Tendo uma elegância muito discreta, pode usar-se com muito maior à vontade em qualquer circunstância. Por outro lado, a Caran d'Ache desenvolveu uma série de cores de tinta diferentes dos habituais azul e preto e que contribuem para personalizar a escrita.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Apoio Psicológico

Segundo a imprensa, os tripulantes do veículo do INEM envolvido num acidente do qual resultou a morte de um motociclista estarão a receber apoio psicológico.
Ainda de acordo com a imprensa, o veículo do INEM terá desobedecido a um semáforo vermelho e entrado num cruzamento por onde circulava o motociclista com luz verde.
Não faltaram logo "boas almas" a dizer que o motociclista seguia em excesso de velocidade.
Dois ou três comentários:
1) Os veículos de emergência não podem entrar num cruzamento com luz vermelha, a não ser que verifiquem previamente que não há perigo; nos sinais STOP, nunca podem passar sem parar, mesmo que sigam com sinais de emergência. Todos nós assistimos diariamente ao incumprimento destas regras por parte de viaturas do INEM e outras ambulâncias. Aplicam a chantagem psicológica da pressa que pode vir a ser por qualquer um de nós. Mas há sempre quem já tenha ouvido alguém que conduz viaturas do INEM dizer que gosta da profissão pela adrenalina.
2) A família do motociclista não precisará de mais apoio psicológico do que os tripulantes do carro do INEM? Parece-me que estes vão precisar é de apoio judicial, se houver justiça.
3) A questão da velocidade. Neste país ouve-se constantemente argumentar com a velocidade para a causa de muitos acidentes. Conversa da treta a esconder muita irresponsabilidade. A velocidade em excesso será causa de uma percentagem muito pequena de acidentes. O que acontece é que potencia a gravidade das consequências dos acidentes. Muitas vezes o que provoca acidentes são faltas de atenção, más condições e mesmo perigos não assinalados na via e ainda azelhice pura de muitos condutores que nunca deveriam andar a conduzir.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pagar a horas: e o Estado?

Desde o início que esta coluna ficou com uma dimensão pré-definida, o que implica não só contenção na escrita, tentando não fugir ao essencial do assunto a que se refere, como exige um esforço de compactação para não deixar escapar algum aspecto importante.
A vantagem é que resultam assim textos curtos, que se esperam de imediata compreensão, e, não o escondo, uma maior facilidade nos temas a tratar, já que cada crónica trata apenas de um determinado assunto. Ainda assim, sempre são 52 semanas por ano e já lá mais de três anos de crónicas semanais.
Mas, como diria o Coronel Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, deixemos os preliminares e passemos aos “finalmentes”.
Na semana passada abordei nestas linhas a questão do atraso nos pagamentos, na óptica das relações entre empresas. Referi ainda o programa lançado pela ACEGE chamado “Compromisso Pagamento Pontual”, que desafia os empresários a assumir os pagamentos aos seus fornecedores dentro dos prazos estipulados.
Entretanto fui interpelado sobre o problema dos atrasos de pagamentos por parte do Estado. Claro que a resolução desse problema não está nas mãos dos empresários e sim nas mãos dos políticos que em determinado momento detêm o poder.
Mas a questão existe, e não pode ser escamoteada. Por Estado, qualquer cidadão comum que paga impostos, entende a Administração Central e as Autarquias que funcionam exactamente através desses impostos.
De facto, os prazos de pagamentos por parte do Estado em 2007 foram, em média, mais do dobro da média dos países da UE, o que nos coloca, de acordo com o European Payment Index 2007, no último lugar de entre 25 países europeus no que respeita aos riscos associados aos pagamentos em transacções comerciais.
Em termos de números, em média, em Portugal um fornecedor da Administração Pública demora cerca de 152 dias a receber o seu pagamento, face à média europeia de 69 dias.
Como disse acima, os empresários não são responsáveis por estes atrasos e não os podem alterar. A economia desenvolveu métodos para minorar este problema das empresas através do recurso ao “factoring”, mediante o qual a tesouraria das empresas ultrapassa a questão, embora com um determinado custo. É evidente que este sobrecusto corresponde a uma taxa que diminui a rentabilidade das empresas, e é, aliás, mais importante para as pequenas empresas cujo acesso ao “factoring” é mais difícil e logo mais caro.
Outra estratégia é expor menos as empresas a fornecimentos e empreitadas do Estado, não ficando tão vulneráveis aos seus atrasos nos pagamentos.
Cabe aqui dizer que, no início do corrente ano, o Governo anunciou um programa de redução dos atrasos dos pagamentos da Administração Central em 25%. Sendo esta decisão de saudar, não deixa de ser incompreensível, já que estas despesas já se encontravam cabimentadas, tornando-se assim o processo redundante. Confirma-se assim que o Estado é o pior pagador, porque se atrasa mesmo quando tem o dinheiro disponível para efectuar os pagamentos.

Publicado no Diário de Coimbra em 11 de Agosto de 2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

EMPREITADAS DE OBRAS PUBLICAS

"...a GRID (empresa do Prof. Antonio Reis) fica com a responsabilidade de escolher a solucao a adoptar na fase de projecto, o que nao minha perspectiva, tendo em conta as pequenas guerras entre os diversos projectistas, podera resultar na nao escolha da melhor solucao em projecto.

...Na minha perspectiva, parece-me que existe neste processo um misto de ingenuidade e hipocrisia. Por um lado, todos sabemos que os prazos sao sempre curtos e que as grandes empresas, que possuem departamentos para produzir propostas, nao possuem qualidade tecnica para fazer uma proposta enquanto reve tecnicamente o projecto. Por outro lado, os honorarios pagos aos projectistas, estao desactualizados e carecem de justiça, o que leva inevitavelmente a maus (ou pelo menos deficiente) projectos. No geral, julgo que as obras ficarão mais baratas e com menos trabalhos a mais."


Pelo seu interesse chamo a atenção para o comentário colocado por Silva Brito ao post publicado em 29 de Julho sobre as obras da Ponte Rainha Santa Isabel

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

PRÓ, CONTRA OU APENAS INDEPENDENTE?

Há uma onda na blogosfera contra o jornal Público, acusando-o de levar a cabo uma campanha contra o Governo do PS.
Nunca me dei conta de tal campanha. As notícias, à partida, são isso mesmo. Quanto aos artigos de opinião e comentários, encontro de tudo. O que certamente não vislumbro é uma campanha a favor do PSD.
Claro que este jornal é o único dito "de referência" onde se podem ler críticas independentes a acções do Governo em geral e de ministros em particular. Isto é apenas indicador de imprensa independente. Claro que quem não gosta que a opinião pública saiba que os computadores "magalhães" se chamam "classmate" e que a Intel concessiona o seu fabrico por esse mundo gora há dois anos, ou que os automóveis "eléctricos" da Nissan não vão cá ser fabricados e portanto não vão ser portugueses, ou que a fábrica de aviões da Embraer não é assim tão pacífica, etc. etc., acha que o Público faz campanha contra.
Quem gosta de estar informado, acha que a imprensa livre é necessária e que a restante imprensa diária até nem pega nestas questões, a não ser depois de o Público as referir.
O poder político em Portugal nunca se habituou muito bem à liberdade de imprensa e acho que já é tempo de isto mudar.
Recordo aqui que o Público foi pioneiro em 1995 quando, antes das eleições legislativas que deram a vitória ao Eng. Guterres, resolveu apoiar publicamente o partido Socialista nessas eleições e assumi-lo. Eu que nunca fui na música celestial do Eng. Guterres só tive que deixar de comprar o jornal de que era leitor desde o seu aparecimento e passar a comprar outro. Esta posição do Público em 95 teve a vantagem de separar as águas e acalentei a esperança de que os jornais em Portugal seguissem finalmente a linha que há em todos os outros países livres, onde as pessoas conhecem bem a linha política dos jornais que compram, que não tentam passar pelo que não são, isto é, absolutamente independentes. No entanto isso não sucedeu e temos todos que ter o trabalho de conhecer a orientação política dos colunistas e ainda dos redactores, o que é absolutamente ridículo. E as orientações políticas saídas da legislação do ministro Santos Silva, em nome do equilíbrio, continuam a enterrar ainda mais a possibilidade de termos imprensa livre e com opinião.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Morreu Alexandre Soljenitsyne



Dia triste para a humanidade.
A sua obra é um monumento de amor aos homens e à humanidade em geral.
Nunca esquecerei como ele descreveu passagens da revolução soviética e do regime de Lenine que eram exemplos simples do "verdadeiro socialismo".
Por exemplo, o chamado "partido dos engenheiros". A certa altura o "partido" necessitava que os comboios andassem ininterruptamente de um lado para o outro. Pois bem, os engenheiros de manutenção dos caminhos de ferro informaram que os comboios deveriam parar para olear e outras coisas o género. O "partido" entendeu que os engenheiros tinham formado o seu partido reaccionário e contra-revolucionário e deu-lhes o respectivo destino. Claro que passados poucos meses o sistema ferroviário bloqueou por falta de manutenção.
Para azar do Vasco Gonçalves e seus camaradas de 75 havia por aí muita gente que já tinha lido o "Pavilhão dos Cancerosos", o "Arquipélago de Goulag" e "Um dia na vida de Ivan Denisovitch" pelo que as tentativas de atitudes deste género fracasaram.
No seu tempo Alexandre Soljenitsine fez mais pela liberdade que muitos outros que se consideram a si mesmos verdadeiros arautos da mesma.
A propósito, não consta que após a queda do regime da ex-URSS o escritor tenha constituído uma fundação , nem recebido um monumento nacional do Estado para se instalar.

PAGAR A HORAS




Existe um problema quase endémico na economia portuguesa, que consiste no sistemático atraso nos pagamentos.
A Associação Industrial Portuguesa publicou recentemente dados sobre este problema, tendo concluído que 75% das empresas portuguesas têm problemas com atrasos de pagamento.
Refira-se que atraso de pagamento significa que o comprador do bem ou serviço não efectua o pagamento dentro do prazo que foi acordado entre as partes, seja esse prazo de 30 dias, seja de qualquer outro prazo. O que interessa aqui é que o pagamento seja feito quando a outra parte está legitimamente a contar com ele.
De acordo com a Intrum Justitia, os países europeus em que as facturas são pagas com mais atraso são a Grécia, Chipre e Portugal, sendo os países do Norte da Europa aqueles que revelam maior grau de cumprimento nesta área.
É possível verificar assim uma certa permissividade quase cultural em alguns países do Sul da Europa no que toca à falta de pontualidade nos pagamentos, mas onde já não constam a Espanha ou a Grécia.
O atraso no recebimento das facturas traduz-se para qualquer empresa numa taxa escondida, que a leva muitas vezes a defender-se, atrasando os pagamentos aos seus próprios fornecedores. De facto, é a própria sobrevivência dessa empresa que pode ser colocada em causa. Assim se entra numa espiral com grandes custos para a economia na sua globalidade.
Com vista a transformar este “ciclo vicioso num que seja antes virtuoso”, a ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores), lançou um programa chamado “Compromisso Pagamento Pontual”.
Ao aderirem voluntariamente a este compromisso, as empresas comprometem-se, sob sua responsabilidade, a efectuar o pagamento pontual aos seus fornecedores.
Por algum lado se teria que cortar este ciclo vicioso. Está provado que os meios coercivos não funcionam em Portugal, por motivos culturais, por falta de responsabilidade generalizada, por puro oportunismo e cupidez, ou ainda por falta de resposta dos tribunais em tempo útil.
O estabelecimento de uma cultura de responsabilidade e de respeito pelos outros actores na economia é essencial para uma sã competitividade, que se reflecte obrigatoriamente na competitividade nacional.
Para quem está há muito habituado ao actual estado de coisas nesta área, este desafio pode parecer ingénuo ou até inútil. Não é ingénuo, porque parte de quem conhece a fundo o funcionamento da economia, e só seria inútil se por distracção ou falta de responsabilidade os responsáveis das empresas não lhe prestassem atenção.
Sucede que neste momento já largas dezenas de responsáveis de empresas assumiram publicamente o “Compromisso Pagamento Pontual”, colocando uma boa parte da economia portuguesa dentro do tal ciclo virtuoso.
Ao contrário de muitas más notícias da economia, estas são claramente boas notícias, esperando-se que muitos mais gestores e empresários sejam chamados a esta linha de responsabilidade, para o que poderão ir ao portal da Internet com o endereço:
http://www.ver.pt

Publicado no Diário de Coimbra em 4 de Agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

PRAIAS

Por falar em praias,

OS RAPAZES DA PRAIA

A praia traz velhas recordações de tempos despeocupados, como esta música recorda:
BEACH BOYS a surfar na Califórnia nos anos sessenta