segunda-feira, 31 de maio de 2010

Chá verde retarda envelhecimento cerebral, conclui investigação da Universid...


via Publico.pt - Geral em 31/05/10
Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que ...

MAGNIFICAT

Evangelho do Dia



Segunda-feira da Semana IX - Visitação da Virgem Maria

(Lc 1, 39-56) Naqueles dias,
Maria pôs-se a caminho
e dirigiu-se apressadamente para a montanha,
em direcção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
o menino exultou-lhe no seio.
Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado
que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou
no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito
da parte do Senhor».
Maria disse então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas,
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».

Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses
e depois regressou a sua casa.

QUESTÕES VERDADEIRAMENTE FRACTURANTES

Já poucos se lembram, mas no Verão de 2008 começou uma séria crise financeira internacional cujo sinal maior foi a falência do banco Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos. A partir daí foi toda uma catadupa de falências de instituições bancárias, compra de outras, fusões, etc. Os governos de muitos países do Ocidente resolveram salvar o sistema financeiro que durante anos fez disparates sobre disparates com produtos que não tinham sustentabilidade real e se auto-alavancavam de maneira insana, com o beneplácito de todas as entidades com responsabilidade reguladora ou, no mínimo, um fechar de olhos e assobiar para o lado. Na realidade, tratou-se de uma crise séria, mas de ajustamento do sistema à realidade.

As iniciativas dos governos estenderam-se depois a toda a economia, tentando tapar os buracos, como se o fundamental não fosse ir às causas, em vez de maquilhar as consequências.

Como resultado, os défices dispararam e vieram acumular-se às tradicionais deficiências de muitos desses países: dívida externa exagerada, fraco crescimento, desadequação das economias aos novos tempos da globalização.

Na Europa do Euro, esses problemas são muito mais graves para os países nessa situação, porque não possuem meios próprios para responder, dado que prescindiram voluntariamente deles ao aderirem à moeda única. Em particular, esses países deixaram de ter a possibilidade de desvalorizar moeda e de influenciar as taxas de juro, meios desde sempre utilizados para combater situações de crise económica e de falta de competitividade. Nesta situação verdadeiramente aflitiva, que se pode comparar a um duche gelado logo depois de um banho quente, estão a Grécia e a Espanha, mas também Portugal. Muitos países europeus estão a adoptar medidas excepcionais para controlo dos seus défices a curto prazo. Como sempre, os défices são combatidos através da redução de despesas, ou então através do aumento de impostos, ou mesmo por uma mistura das duas soluções. Todos os países aumentam os impostos, uns mais do que os outros. O que os governos não prescindem é de dar sinais à sociedade de que acompanham os cidadãos nos seus sacrifícios. Por exemplo, os ministros ingleses deixaram de ter direito a carro oficial próprio com motorista, devendo usar transportes públicos ou carros oficiais partilhados, e em França os ministros passaram a utilizar pequenos carros utilitários e económicos, para além de terem acabado com despesas supérfluas, como flores frescas nos ministérios. Muitos outros exemplos se podem contar. Cá por Portugal, país onde a subida de impostos vai ser acentuada, verifica-se em todos os níveis do Estado a continuação do espectáculo de organismos com inúmeros carros parados à porta com os respectivos motoristas à espera.

A moeda única tornou-se uma verdadeira armadilha para os países que nela entraram alegremente sem preparar as suas economias para a nova situação criada. Fica-nos a amarga sensação de que grande parte dos dirigentes políticos que desde há décadas têm aparecido por essa Europa fora são no mínimo inconscientes, quando não totalmente incompetentes. Se não, como se compreenderia que países tenham aderido a uma moeda única sem garantir meios de combate a crises para além de descerem generalizadamente os salários, como agora os gurus como Paul Krugman lhes vêm candidamente explicar?

Publicado originalmente no Diário de Coimbra em 31 de Maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um convite


via Delito de Opinião de Ana Margarida Craveiro em 26/05/10


segunda-feira, 24 de maio de 2010

HERÓI DA INFORMAÇÃO

Estamos a viver uma época de rápidas transformações em todas as facetas da vida colectiva, que se sucedem a uma velocidade sem paralelo na história da Humanidade. Uma das razões para que isto se esteja a passar tem certamente a ver com a facilidade e velocidade de transmissão de informação. O aparecimento e a disseminação da utilização da internet vieram introduzir alterações cruciais no acesso à informação e ao seu tratamento e transmissão. Por exemplo, é hoje muito mais importante e eficaz disponibilizar obras na internet do que manter grandes bibliotecas abertas ao público, como as grandes universidades do mundo já fazem há algum tempo. É assim que todos temos a possibilidade de estudar obras portuguesas antigas que não estão disponíveis entre nós, por se encontrarem em universidades ou museus estrangeiros, sem haver necessidade de deslocações.

As televisões e os próprios jornais têm hoje um papel completamente diferente na informação do que se passa pelo mundo e no nosso país e mesmo na formação da opinião pública. Os meios de comunicação social tradicionais fazem hoje um esforço enorme de adaptação às novas realidades, sem o que o seu futuro se encontrará irremediavelmente comprometido. Alguns sobreviverão, necessariamente diferentes, mas muitos desaparecerão sem apelo nem agravo, aniquilados pela imensa e diferenciada oferta de informação disponibilizada pela internet.

Este jornal que o leitor tem na mão faz hoje 80 anos. Desde que nasceu em 24 de Maio de 1930 que se assume como um jornal republicano e regionalista, “defensor dos interesses das Beiras”, como afirmava orgulhosamente sob o título, logo a partir do primeiro número.

As suas páginas ao longo destes anos são testemunho de tantos acontecimentos que ocorreram no mundo, em Portugal e na nossa região, que o próprio jornal merece ser também notícia, sendo os seus oitenta anos motivo de satisfação para todos os que o lêem e certamente muito mais ainda para os que o fazem. Grandes nomes de Coimbra e das Beiras têm o seu nome eternamente fixado nas páginas do Diário de Coimbra: desde logo o seu fundador, Adriano Viegas da Cunha Lucas, mas também Bissaya Barreto, justamente homenageado pela Cidade logo em 1931, os jogadores da Académica que em 1939 venceram a Taça de Portugal, Linhares Furtado que fez o primeiro transplante de rim em 1969, Miguel Torga, galardoado com um prémio mundial de poesia em 1976, o saudosamente recordado Elísio de Moura, mas também Jorge Anjinho, João Paulo II, que nos visitou em 1982, o Senhor D. Albino cuja próxima saída nos deixa já com saudades, Ferrer Correia, excepcional e clarividente reitor da Universidade verdadeiramente Magnífico, Manuel Antunes, médico notável e organizador de serviços de saúde, Mendes Silva, que morará para sempre na memória de quem o conheceu, Pinho Brojo e António Portugal, cultores maiores do Fado que leva o nome da nossa Cidade, Carlos Mota Pinto, excepcional professor universitário e político grande, António Arnaut, defensor sempre coerente de causas sociais.

Tantos outros passaram até hoje pelas suas páginas de forma positiva. Dos que por lá passaram de forma algo triste não valerá muito a pena falar, embora façam também parte da História. Referi propositadamente pessoas, e não factos ou acontecimentos, porque são o que verdadeiramente interessa e quem faz a História e nos marca definitivamente pelo exemplo de vida.

Os tempos estão a mudar como disse acima, e no futuro o papel dos jornais como o Diário de Coimbra não será certamente igual ao que foi nos últimos oitenta anos. Vivemos hoje imersos num mar de informação global. Há, no entanto, uma função que o Diário de Coimbra tem exercido de uma forma excepcional e que justifica talvez a sua já longa existência e que ultrapassa tudo aquilo que a internet, os blogues e redes sociais não serão capazes de substituir com vantagem: a sua excepcional capacidade de estabelecer redes entre os diversos intervenientes públicos da nossa Região, com respeito por todas as correntes de pensamento e opinião, e ainda a forma notável como liga a Cidade a milhares de pessoas que numa ou outra altura da sua vida se relacionaram com Coimbra.

Ao jornal que me acolhe todas as segundas-feiras desde há quase cinco anos, o agradecimento por esta oportunidade e os votos das maiores felicidades por mais oitenta anos. Desejo ainda a todos seus colaboradores as maiores venturas pessoais e profissionais.

Publicado no Diário de Coimbra em 24 de Maio de 2010


segunda-feira, 17 de maio de 2010

FACTURA MENSAL DE ELECTRICIDADE


O leitor sabe o que está a pagar todos os meses quando paga a sua factura à EDP?

Com uma grande probabilidade de acertar, direi que na verdade não sabe, embora pense que está simplesmente a pagar a electricidade que consome. Pois saiba que nao: de facto, paga muitas outras coisas mais, que tem toda a vantagem em conhecer. Já que é obrigado a pagar sem poder negar-se a fazê-lo, deve pelo menos saber para onde vai o seu dinheiro.

Na realidade, cada euro que pagamos na nossa factura eléctrica mensal distribui-se da seguinte forma: 31 cêntimos pagam a energia eléctrica e o seu fornecimento, 27 cêntimos pagam o uso das redes e gestão do sistema, e finalmente 42 cêntimos pagam subsídios a diversas entidades.

A ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) deveria servir para criar condições concorrenciais às empresas que teoricamente nos poderiam fornecer electricidade em situação de sã concorrência. Claro que, na realidade, o fornecimento de electricidade às nossas casas é um monopólio bem conhecido, em que actuam a REN e a EDP com condições tarifárias definidas administrativamente. Reside aliás aqui a razão de quem protesta contra os prémios das administrações destas empresas que prestam os seus serviços a preços que, na prática, são tudo menos concorrenciais. Embora esta sua função seja praticamente inexistente, ao menos a ERSE serve para sabermos exactamente para onde vai o dinheiro que os consumidores pegam na sua factura eléctrica.

Pelo relatório anual da ERSE, ficamos a saber que aqueles 42% da nossa factura mensal são a parte que todos nós temos que pagar para os chamados CIEG (Custos de Interesse Económico Geral). Por exemplo, daqueles 42 cêntimos que referi, 6,51 cêntimos destinam-se a pagar a chamada PRE (Produção em Regime Especial). Corresponde à subsidiação de preços para a produção de energia eólica (sim, aqueles moinhos que agora enchem os cumes dos nossos montes), da co-geração (renovável e não renovável), da energia fotovoltaica (por exemplo aquela famosa central da Amareleja) e outras renováveis residuais.

Numa altura em todo o país começa finalmente a ter consciência da situação económica do país, é conveniente conhecermos os pesos que a economia tem em cima, e que dificultam ou impossibilitam a sua recuperação, porque lhe introduzem à partida custos adicionais que, comparativamente, lhe retiram competitividade.

O custo da energia é um desses pesos. Na realidade, num país rico e provavelmente com excedentes de balança comercial, faria sentido investir em energias renováveis que eventualmente poderiam trazer vantagens competitivas num cenário hipotético de combustíveis fósseis raros e muito caros. Num país em que as empresas lutam desesperadamente por um lugar ao sol, tentando competir com economias mais baratas, colocar-lhes uma canga em cima é tudo menos apoiá-las, e é isso que sucede com os custos da electricidade em Portugal. Só para comparar, o preço de referência espanhol de compra de energia eólica em Espanha anda pelos 26 euros por MWh, enquanto em Portugal varia entre 92 e 72 MWh nos últimos contratos. Não admira que haja por aí tanta gente interessada em colocar moinhos por tudo o que é monte.

Agora que ao PEC sucede o PEC2, com todo um rol de sacrifícios para todos os contribuintes, bom seria que esta questão da energia, essencial para a vida económica, fosse devidamente reavaliada em função do interesse de todos nós e de supostas vantagens futuras que poderão ou não surgir.

Publicado no Diário de Coimbra em 17 de Maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Silva Lopes ao DN

O Governo tinha alternativa?

Não! O problema é que se não tomássemos essas medidas não conseguiríamos financiamento externo. Isso seria o desastre completo, uma catástrofe garantida. Estes sacrifícios são o menor dos males que temos de encarar. Mas não vale a pena enganar as pessoas e dizer que se consegue isto e o crescimento económico ao mesmo tempo.


"Portugal e Espanha apresentam livro da candidatura aos Mundiais 2018/2022"

Quem pára isto já?

via Publico.pt - Geral em 14/05/10
Portugal e Espanha apresentam esta sexta-feira na FIFA o livro da candidatura ibérica à organização .

quarta-feira, 12 de maio de 2010

BENTO XVI


«um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história»

segunda-feira, 10 de maio de 2010

TEMPOS DIFÍCEIS

As últimas semanas têm vindo a revelar dificuldades acrescidas para o país, com possíveis consequências graves para o futuro. Já não se fala apenas do futuro longínquo, mas do futuro imediato.

As dificuldades da Grécia estão a espalhar-se de uma forma que parece difícil de conter, colocando o nosso país na primeira linha dos países que poderão vir rapidamente a confrontar-se com uma situação semelhante.

Está na moda acusar as “agências de rating”, como se fossem elas as causadoras da actual situação. É mais uma vez a tendência de matar o mensageiro, em vez de enfrentar o problema. Claro que as “agências de rating” já falharam algumas vezes, mas isso não significa que não tenham um papel importante; o facto de as suas análises terem como consequência o aumento do custo da nossa dívida soberana deve-se aos nossos próprios problemas, e nao à sua exposição pública. Todos os investidores internacionais precisam de quem faça o trabalho de analisar o verdadeiro valor dos papéis que circulam, como é o caso das obrigações emitidas pelos países para financiarem as suas actividades. A ideia peregrina de criar uma “agência de rating” europeia que utilizasse critérios de análise diferentes e que portanto fosse mais "simpática" para países em dificuldades seria apenas ridícula, se não fosse mesmo perigosa pelo que revela de ignorância ou mesmo vontade de manipular os mercados, por parte de quem a propõe.

Os nossos verdadeiros problemas têm a ver com uma dívida externa muito alta, mas também com um crescimento anémico ao longo de toda a última década, com um Estado gastador em excesso e com falta de competitividade externa. A própria Grécia cresceu na última década cerca de três vezes mais do que Portugal. Na realidade, em termos de crescimento médio anual, a última década só tem paralelismo com outra década na nossa história económica recente, que foi a década de 1911/1920, sendo conveniente ter este dado bem presente, antes de atirarmos pedras a quem dá as más notícias.

O valor excessivo do euro face à nossa capacidade económica, associado à falta de reforma do nosso sistema produtivo e ainda à existência de sobrecustos artificiais sobre a economia, está a ter um efeito corrosivo permanente na nossa afirmação económica no exterior.

É voz corrente que o país está a viver pelo menos dez por cento acima das suas possibilidades. Isto é, todos os anos nos endividamos em cerca de dez por cento do que produzimos, para pagar o que gastamos, e esta situação vai-se acumulando.

A situação está muito perigosa e exige não só sangue frio e coragem dos diversos responsáveis políticos, como também uma grande dose de bom senso e disponibilidade para encontrar respostas adequadas às novas situações que surgem todos os dias. O conceito de desenvolvimento sustentável não poderá ser deixado apenas para o ambiente em termos restritos, devendo ter em conta a evolução da economia que se reflectirá de forma muito séria na qualidade de vida das próximas gerações.

Publicado no Diário de Coimbra em 10 de Maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Europa - ora vejamos quem deve a quem...


via Corta-fitas de Pedro Quartin Graça em 03/05/10

Fonte: New York Times, edição de 1 de Maio


SEGURANÇA RODOVIÁRIA, PRECISA-SE


Se há algum sector em que Portugal melhorou sensivelmente nos últimos anos é o da sinistralidade rodoviária. O número de acidentes e, principalmente os números de mortos e de feridos graves, são hoje em dia muito inferiores ao que se verificava há uns vinte anos. As causas são diversas, mas podemos salientar a melhoria geral das estradas e a renovação da frota automóvel.

O outro factor clássico para a definição das condições de segurança rodoviária é o comportamento dos condutores. Quanto a isso, não se sente que haja uma grande melhoria, em grande parte porque quem circula pela estrada raramente sente a presença dissuasora das forças policiais, a não ser para controlar a velocidade excessiva.

Tendo as estradas melhorado sensivelmente desde a nossa entrada na actual União Europeia, há no entanto muitas situações que necessitam de atenção urgente por parte das autoridades que superintendem nas estradas.

As estradas, mesmo quando de construção ou beneficiação recente, necessitam de manutenção. Em particular, no que diz respeito à sinalização, a falta de manutenção das pinturas e de substituição imediata de sinais de trânsito degradados ou desaparecidos é motivo de muitos acidentes, por vezes de grande gravidade. Em alerta publicado há poucos dias, a Associação Portuguesa de Sinalização e Segurança Rodoviária estima mesmo que entre 20 a 30 por cento dos acidentes rodoviários sejam provocados pela má sinalização.

É notória e frequente a falta de conhecimento prático e de experiência por parte de muitos projectistas de estradas. Em consequência, surgem situações pontuais de falta de segurança em que os automobilistas se encontram de repente perante situações que fogem ao “ambiente” rodoviário em que circulam, obrigando a manobras que deviam ser desnecessárias. Mesmo a própria fiscalização da construção das estradas deixa muito a desejar. A perda da experiência e do conhecimento tácito acumulado durante muitas dezenas de anos pelos técnicos da antiga JAE ajuda a explicar boa parte destas situações e é de lamentar.

Entrou ao serviço há poucos meses em Coimbra uma infra-estrutura rodoviária que é bem o paradigma do que acima escrevi.

A “rotunda do Almegue” junto à Escola Superior Agrária de Coimbra parece acumular todos os erros de projecto e de execução que se possam imaginar. A sua geometria e a própria dimensão dificultam aos automobilistas a percepção de que se trata de uma rotunda. As inserções das diversas vias são feitas com ângulos desadequados. A variação do número de vias é permanente, impossibilitando uma sinalização horizontal coerente que ajude de facto à orientação dos automobilistas. Por fim, a diferença de cotas entre as vias de acesso e da própria rotunda impede uma boa percepção visual de quem circula.

Há muitos anos que defendo uma entidade reguladora para as estradas, que proteja de facto a segurança dos seus utentes e impeça asneiras e disparates na construção das estradas. De facto, nem a Estradas de Portugal nem boa parte dos Municípios são capazes de garantir, quer a qualidade exigível de projectos e sua correcta execução, quer a necessária manutenção para que continuem ao serviço nas condições mínimas de segurança de circulação rodoviária.

Publicado no Diário de Coimbra em 3 de Maio de 2010