sábado, 23 de fevereiro de 2008

CREDIBILIDADE POLITICA (2)

O presidente da Câmara de Lisboa que, enquanto ministro rejeitou um parecer de Marcelo Rebelo de Sousa critico da lei sobre finanças locais de que foi pai babado, pediu agora ao mesmo Professor um parecer para rebater o acórdão do Tribunal de Contas que chumbou o seu pedido de empréstimo, com base na lei sua filha.
Confusos?
Não. É apenas mais uma valente machadada na credibilidade dos políticos que vamos tendo.

CREDIBILIDADE POLITICA (1)

O deputado que há poucos dias foi nomeado relator da comissão parlamentar encarregada da transposição da directiva europeia de combate ao branqueamento de capitais vai ser julgado sob a acusação de crimes de fraude fiscal e falsificação de documentos.
Numa altura em que a credibilidade da classe política anda pelas ruas da amargura, não podia haver melhor escolha para liderar aquela comissão da qual se espera algo mais do que uma simples tradução.


APOIOS NOTÁVEIS

A melhor notícia deste fim de semana é a declaração de apoio de Saramago a Zapatero. "Os bons espíritos encontram-se".

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

KOSOVO

A reacção dos sérvios à declaração de independência unilateral do Kosovo fez-me pensar qual seria a reacção dos restantes portugueses se o Minho ou o Algarve seguissem o mesmo caminho. E não me parece que alguém se desse à maçada de reagir, fosse de que forma fosse. Claro que haverá sempre quem diga que isso é um sinal de "modernidade", palavra tão cara aos líderes actuais, substituindo mesmo o "desenvolvimento".

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A "COISA" MATOU O AUTOR

O ex-ministro da Administração Interna que defendeu a necessidade de controlar os gastos e o endividamento das autarquias com a sua lei das finanças locais, viu virar-se o bico contra o prego e está agora a provar o seu próprio fel como presidente da Câmara de Lisboa.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A D. ALZIRA VÊ TE VÊ?

A entrevista do primeiro-ministro ontem na SIC foi tão bem preparada, tão bem preparada, que o alinhamento nem deu para colocar umas palavrinhas de conforto aos lisboetas sacrificados pelas inundações, não foi D. Alzira?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A D. ALZIRA SAIU PELA JANELA

(foto retirada do sapo)

Mais um dia de inundações em Lisboa.
No seu noticiário da noite, portanto muitas horas depois das chuvas e dos efeitos, somos bombardeados durante mais de meia hora, por directos e reportagens de casos concretos.
Numa dessas reportagens, ficámos a saber que a D. Alzira saiu de casa pela janela do seu quarto, e que a sua filha que vive ao pé, lhe prestou assistência. Esta notícia é o símbolo da incompetência jornalística que varre este país.
Total incapacidade de observação de um fenómeno, a não ser pela descrição de milhares de pormenores pontuais, que não explicam nada.
Ninguém pergunta nada aos presidentes das câmaras, nem aos responsáveis pela protecção civil.
Ninguém tenta sequer explicar porque é que nos casos mostrados, não aparece nenhum Mercedes ou BMW topo de gama, quase só se vendo opeis corsa.
E ninguém se lembra de que o ordenamento deste território coincide com mais de trinta anos de governação ou presidência de esquerda, com muita "defesa dos interesses das classes mais desfavorecidas". Dá vontade de vomitar.

ACABOU A COMIDA BARATA



As recentes notícias sobre um aumento acentuado dos preços internacionais dos cereais, com consequências imediatas no preço do pão, são muito mais importantes do que se poderia pensar à primeira vista. Na realidade, o que está em causa não é uma crise conjuntural passageira decorrente de ocasionais roturas de stocks.

Nas últimas dezenas de anos habituámo-nos a ver os custos da alimentação descer em todo o mundo, tendo havido uma quebra de cerca de três quartos em termos reais no último quartel do século XX.

Esta situação parece ter terminado irremediavelmente. De acordo com a revista ECONOMIST, só desde 2005 até agora os preços da alimentação subiram 75%, estando o respectivo índice de preços no nível mais alto desde 1845, data em que se começaram a medir.

E não se pense que o aumento dos cereais se reflecte apenas no pão. Uma enorme variedade de produtos alimentares e não alimentares lhes está referenciada. Um exemplo imediato é a carne: para se obter um quilo de carne são precisos em medis oito quilos de cereal.

Curiosamente, uma das principais causas do aumento acentuado dos cereais tem a ver com a produção de combustíveis alternativos aos combustíveis fósseis, isto é, petróleo. Para diminuir a dependência dos estados produtores de petróleo e ainda lutar contra a poluição, está-se a promover e mesmo a subsidiar a produção de bio-etanol para os veículos automóveis. É o caso do Brasil e dos Estados Unidos. Mas, como diz a revista citada, para se encher uma vez o depósito de um jipe, é necessário produzir milho que chegaria para alimentar uma pessoa durante um ano.

Para além do aumento dos custos da alimentação em todo o mundo, a produção de cereais para combustível em países desenvolvidos com agriculturas muito sofisticadas com elevada produtividade, está a condenar a agricultura dos países pobres que dependem muito mais dessa actividade para o sustento das suas populações.

Outro factor importante para a sustentabilidade destes aumentos de preço da alimentação a nível mundial tem a ver com a alteração de dietas alimentares nos países emergentes da Ásia, particularmente China e Índia. Só na China, o consumidor médio que comia 20 kg de carne em 1985 come agora para cima de 50 kg. Basta multiplicar este acréscimo pela população da China para se perceber a dimensão do problema.

Não se trata de boas notícias. Para além dos problemas económicos trazidos pelas crises internacionais do imobiliário, este é mais um factor a ter em conta na evolução da economia mundial nos próximos anos.

Publicado no "Diário de Coimbra" em 18 de Fevereiro de 2008

domingo, 17 de fevereiro de 2008

BEETHOVEN

TRIPLO CONCERTO

Um concerto verdadeiramente histórico que reuniu David Oistrakh, Mstislav Rostropovich e Sviatoslav Richter em Moscovo em 1970.

BEETHOVEN

De Beethoven, aqui fica o concerto para violino (3º and.) interpretado por Anne-Sophie Mutter com a Filarmónica de Berlim dirigida por Herbert von Karajan.