segunda-feira, 27 de março de 2017

O tempo suspenso pelo terror




 Na passada quarta-feira Keith Palmer, conhecido como o polícia sorridente, tirou uma foto com uma turista e continuou o seu trabalho habitual junto dos portões do Parlamento britânico na cidade de Londres. Tinha deixado a família em casa ao sair bem cedo para as suas funções de segurança do Parlamento e, sendo já duas e meia da tarde, esperava regressar para junto dos seus dentro de pouco tempo. De repente, um carro grande embate contra o gradeamento dos jardins do Parlamento e sai de lá um homem a quem Palmer se dirige, apenas para ser violenta e repetidamente esfaqueado com uma grande faca de cozinha, não tendo sequer tempo para reagir.
Dois turistas americanos, Melissa e o marido Kurt Cochran, passeiam em Londres, numas férias marcadas para comemorar o aniversário do seu casamento. Depois de almoço vão visitar o Parlamento britânico e atravessam a pé a ponte Westminster. De repente, um SUV salta para o passeio a toda a velocidade e o motorista atropela todos os peões que consegue. Os americanos são dos primeiros a ser atingidos. Melissa é levada para o hospital gravemente ferida com uma perna e uma costela partidas e cortes na cabeça e recuperará, mas regressará a casa sozinha das férias longamente preparadas porque Kurt fica logo ali, sem vida, depois de ser atirado para a plataforma inferior da ponte.

Aysha Frade, uma inglesa com 43 anos, de origem galega e casada com o polícia John Frade de origem portuguesa, tinha acabado as suas aulas de língua espanhola no colégio onde era professora e ia buscar as suas filhas de 8 e 11 anos à escola para seguirem depois para casa. Ao atravessar a ponte de Westminster foi também colhida pelo mesmo carro e não resistiu aos ferimentos, tendo falecido pouco depois do atropelamento. As duas meninas nunca mais terão a mãe à saída da escola para irem juntas para casa estudar e preparar as aulas do dia seguinte.
Ao sair do parlamento, o deputado conservador Tobias Ellwood, que foi em tempos capitão do exército e que perdeu um irmão no atentado de Bali em 2002, viu Keith Palmer caído e correu para lhe fazer respiração boca a boca, tentando ainda desesperadamente tapar-lhe com as mãos as feridas por onde se esvaia em sangue. Sem sucesso, pois o polícia morreria pouco depois apesar dos seus esforços e dos da equipa de socorro que, de helicóptero, rapidamente chegou ao local.
Depois de acabar o trabalho num Marks and Spencer próximo, o português Francisco Lopes que vive em Londres há 15 anos, estava a chegar ao fim da ponte de Westminster, já perto do Big Ben, para apanhar o metro para casa. Quando o carro o apanhou com força foi atirado e caiu no passeio. Por uma imensa sorte, os ferimentos numa perna e numa mão não foram graves pelo que, depois de tratado no hospital, pôde ir para casa onde já passou a noite.
O fotógrafo da Reuters Toby Melville tinha resolvido andar naquele dia pelas imediações do parlamento para tirar fotografias a colocar em artigos sobre o brexit. Quando estava na plataforma inferior da ponte de Wstminster, ouviu um súbito baque e viu um homem inanimado caído da ponte a sangrar fortemente da cabeça. Chamou imediatamente socorro e correu pelas escadas acima apenas para ver uma mulher gravemente ferida no passeio e ainda outras pessoas caídas pela ponte fora.
Andreea Cristea, uma arquitecta romena de 29 anos tinha ido a Londres encontrar-se com o namorado Andrei Burnez, também romeno, para celebrarem juntos o aniversário dele e planear o casamento próximo. Passeavam calmamente pelo centro de Londres quando, ao atravessarem a ponte de Westminster se viram também no caminho do carro assassino. Andrei sofreu apenas ferimentos num pé, mas Andreea não teve a mesma sorte. De alguma forma caiu para o rio Tamisa da altura de 9 metros. Foi rapidamente recuperada da água pelas embarcações da polícia, mas levada para o hospital em estado crítico com graves ferimentos na cabeça e danos profundos nos pulmões, eventualmente provocados pela altura da queda.
Sobre este atentado, escolhi deliberadamente fazer apenas estes apontamentos sem mais considerações, observando-o do lado dos mais diversos cidadãos comuns vítimas inocentes da violência apenas por se encontrarem no local errado à hora errada. Na verdade, nestas situações são esses que devem merecer todo o nosso carinho e a nossa solidariedade, único caminho para prevenir a cultura de violência que grassa pelo mundo.

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