A Organização do Tratado do Atlântico Norte foi fundada em 4 de Abril de 1949 com a assinatura do Tratado do Atlântico Norte em Washington. Originalmente fizeram parte da NATO (ou OTAN, utilizando a designação na nossa língua) 12 países: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e os Estados Unidos. Ao longo dos anos, devido a várias razões, mas essencialmente pensando na sua própria segurança, muitos outros países integraram a NATO que hoje inclui também a Alemanha, a Grécia, a Turquia, a Espanha, a Hungria, a Polónia, a República Checa, a Bulgária, a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Roménia, a Eslováquia, a Eslovénia, a Albânia, a Croácia, o Montenegro, a Macedónia do Norte e finalmente, a Finlândia e a Suécia, num total de 32 países.
A NATO surgiu pouco depois do fim da II Guerra Mundial, já num contexto de “guerra fria” e era uma clara resposta ao expansionismo soviético que conseguira impor regimes comunistas em praticamente toda a Europa de Leste e mesmo Central.
Trata-se de uma organização de carácter militar de defesa, isto é, se qualquer um dos países signatários sofrer o ataque de um país externo, pode pedir a ajuda de toda a Organização. Ao longo da sua existência, houve duas excepções, no Afeganistão na sequência do atentado do 11 de Setembro sob mandato das Nações Unidas e na ex-Jugoslávia em 1995 igualmente de acordo com a ONU.
Os EUA sempre tiveram um papel essencial na NATO, dada a sua dimensão territorial, mas também militar. Contudo, o actual Presidente Donald Trump tem demonstrado uma insatisfação crescente para com a NATO. Entrou mesmo em conflito com um país da NATO, a Dinamarca, com a exigência de transferência da soberania da Gronelândia. Com esta guerra do Irão Trump enfiou-se num buraco sem saída airosa. Quando a começou não perguntou aos seus aliados. Depois, não contactou a NATO, apenas desafiou alguns países a ajudá-lo no Estreito de Ormuz, sem resposta.
Como reacção, Trump regiu com: “A NATO não estava lá, quando precisámos dela. Lembrem-se da Gronelândia, aquele grande, pobremente governado pedaço de gelo”. Isto é, Trump não é capaz de negociar com ninguém, nem com os velhos aliados da América. Só é capaz de impor as suas posições, como sempre fez, noutras circunstâncias pessoais.
E a NATO? Como vai ficar ou evoluir depois disto? Há quem defenda que vai acabar ou que continuará numa nova formulação, sem os EUA. Não me parece que tal venha a suceder. A invasão russa à Ucrânia e a guerra que ainda continua é a prova de que o Ocidente precisa de estar unido, seja a Rússia uma ditadura comunista ou outra qualquer. E a China é e vai ser a verdadeira super-potência, para além dos EUA. Trump vai passar e a sua presidência vai servir de vacina contra as tentações pessoais durante muito tempo nos EUA. Assim o resto do Ocidente o perceba e tenha o bom senso de agir em conformidade. A América é muito mais e muito melhor do que esta fase trumpiana, como o prova a Artemis.
Publicado originalmente no Diário de Coimbra em 13 Abril 2026
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