segunda-feira, 12 de outubro de 2009

LEGISLATIVAS EM BALANÇO

Está finalmente terminado o extenuante ciclo eleitoral que se iniciou em Junho com as eleições para o Parlamento Europeu. As primeiras de uns longos três meses, parecem já ter ocorrido há muito tempo, face a tudo o que entretanto foi sucedendo.
Nas eleições legislativas, que verdadeiramente estabelecem o sucesso ou insucesso das lideranças partidárias, houve claros vencedores e perdedores.
Os vencedores são o PS e o CDS.
O CDS ganhou, porque subiu a sua votação e foi a terceira força política. Ocupa um lugar crucial, por servir de charneira e dispor da possibilidade de influenciar a evolução política do país.
O maior vencedor é, evidentemente, o Partido Socialista, porque ganhou as eleições. Objectivamente, a campanha que levou a cabo, goste-se ou não, foi de uma eficácia surpreendente. De uma posição algo frágil após as europeias, evoluiu para um resultado quase oito pontos acima do PSD. Claro que o resultado alcançado ficou longe da maioria absoluta; mas desenganem-se aqueles que pensam que, por essa razão, haverá novas eleições dentro de dois anos. No actual contexto, não deverá ser difícil ao Governo do PS obter apoios pontuais na Assembleia para as votações cruciais à sua sobrevivência.
Já o PSD perdeu as eleições, qualquer que seja a perspectiva por que se observem os seus resultados. Em primeiro lugar, apesar de ter conhecido quatro lideranças desde essa altura, o número de votos recolhidos pelo PSD não variou desde as eleições de 2005, o que diz muito da receptividade das suas mensagens.
Sabe-se que as campanhas eleitorais encerram em si vários aspectos que se devem conciliar da melhor maneira, para se obterem bons resultados. Em primeiro lugar, temos a mensagem. Depois, temos a transmissão da mensagem, isto é, os meios utilizados para a fazer chegar aos seus destinatários que são os eleitores. Por fim, temos a percepção da mensagem por parte desses mesmos eleitores, que os leva a definir o seu sentido de voto.
Se olharmos para a campanha do PSD, só podemos concluir que ela falhou em todos os aspectos.
A mensagem não demonstrou qualquer ousadia ambiciosa, propondo algumas mudanças na situação existente, mas sem o espírito reformista claro que muitos portugueses exigiam. Foi mesmo perceptível um receio de fugir à agenda política estabelecida pela esquerda.
Os meios utilizados foram de tal forma escassos e inconsequentes, que a certa altura muitas pessoas se interrogavam da vontade real do PSD em vencer as eleições. Pelo contrário, a campanha profissional do Partido Socialista parecia a certa altura uma orquestra em que os diversos intérpretes colocados em diversos palcos tocavam as pautas que lhes haviam sido distribuídas de forma aparentemente dissonante, mas que ao ouvinte distraído soava completamente afinada no seu conjunto.
E aqui chegamos ao ponto crucial, que é a percepção dos eleitores. Eu não sei se o eleitorado português decide sempre de forma inteligente, como afirmou a líder do PSD poucos dias antes das eleições. O que eu sei é que, em resultado das mensagens dos partidos, os eleitores deram a vitória ao PS, deixaram o PSD no mesmo nível de há cinco anos, colocaram o CDS em terceiro lugar e o PCP em último, depois do BE.
Observando com objectividade, verifica-se que a percepção que os portugueses tiveram das propostas do PSD foi muito negativa, o que se reflectiu no mau resultado alcançado. Que os dirigentes e demais militantes do PSD meditem bem sobre tudo isto, porque os portugueses merecem e essencialmente precisam de muito mais e melhor do PSD, que corre o risco real de se tornar um partido de Autarcas (excelentes, em muitos casos), sem ter no entanto respostas a nível de Governo do país.

Publicado no Diário de Coimbra em 12 de Outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Atahualpa Yupanqui

Mercedes Sosa era grande admiradora e divulgadora de Atahualpa Yupanqui, que já aqui coloquei algumas vezes, porque bem o merece.
Aqui fica o "duerme negrito"

Mercedes Sosa

Morreu Mercedes Sosa

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MILLENNIUM


O maior problema quando se acaba o 3º volume do Millennium de Stieg Larsson nem é o ter acabado. A questão é que entrámos num mundo que acaba de repente e parece que desaparece uma família inteira. Pior ainda é saber que o autor tinha previsto dez volumes, mas morreu antes de concluir o quarto.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Do Evangelho do Dia

(Lc 10, 38-42) Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MAIS UMA ELEIÇÃO IMPORTANTE

Termina no próximo domingo um dos períodos mais longos e desgastantes de campanhas eleitorais sucessivas a que temos assistido.

De facto, desde a pré-campanha das europeias de 7 de Junho passado que o país não mais teve descanso, com a política a tomar um lugar de relevo em todos os órgãos de comunicação social. Tudo o resto ficou esquecido, incluindo os graves problemas sociais e económicos que estamos a viver.

Para economia de gastos e - fundamentalmente - para benefício do nosso equilíbrio psicológico, mais valia que se tivesse optado por fazer coincidir as datas de pelo menos duas das eleições. Mas, enfim, foi assim que se decidiu, e temos todos que suportar esta pressão que está finalmente prestes a terminar.

As eleições autárquicas do próximo domingo, fruto da intensidade das últimas eleições e do tipo de escolhas a fazer poderão parecer a muitos de segunda categoria. Nada de mais falso: os seus resultados terão um impacto directo da nossa vida. Em primeiro lugar, somos cidadãos, e a cidade é central no nosso exercício político. É nela que vivemos, é ela o ambiente que nos circunscreve e de alguma forma condiciona. Em termos de escala, é igualmente o nosso contacto mais directo com aqueles em que delegamos o poder de tomar decisões por nós. É o nosso primeiro elo com a democracia representativa. Assim, é do nosso interesse directo o exercício do direito de voto na escolha dos nossos autarcas.

As eleições para as autarquias locais têm características próprias. São, normalmente, pouco politizadas do ponto de vista estritamente ideológico. Este facto compreende-se na medida em que a maior parte dos problemas locais tem uma abordagem mais técnica que ideologicamente orientada. Com a excepção dos partidos radicais, que insistem numa abordagem ideológica de toda a realidade e de todos os aspectos da vida e organização da comunidade humana, há um consenso entre os partidos de que as questões locais se resolvem pelo diálogo com as pessoas, implicando uma grande capacidade de negociação. Talvez por isso os executivos municipais incluam representantes das diversas forças concorrentes, em vez de incluírem apenas representantes do partido mais votado.

As escolhas locais prendem-se assim mais com a percepção de quais serão os concorrentes que melhor compreendem a necessidades de todos e cada um, e que melhor lhes darão resposta.

O Dr. Carlos Encarnação tem sabido, como Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, estabelecer uma relação íntima com grande parte dos munícipes, sejam urbanos ou das zonas mais rurais do concelho. Os munícipes sentem que não é pelo facto de se sentirem mais à esquerda ou mais à direita que o seu Presidente da Câmara trata os seus problemas de forma diferente.

Para além de a candidatura do Dr. Encarnação incluir oficialmente vários partidos, no caso o PSD, o CDS e o PPM, as suas listas incluem personalidades que não se revêem normalmente naqueles partidos. Significa isto que a sua candidatura é garantia de que as ambições dos cidadãos de Coimbra serão atendidas tendo em conta os interesses do concelho, isto é, sem o filtro da ideologia política.

No próximo domingo, caro leitor, lembre-se de que é do seu interesse ir votar. Afinal, trata-se da sua cidade, do seu bairro, da sua rua. E, aqui, todos os votos contam.

Publicado no Diário de Coimbra em 5 de Outubro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tapar o sol com a peneira

Um dos piores erros dos derrotados é desvalorizar a vitória dos que ganham. É uma espécie de bálsamo para atenuar a frustração da derrota. Vejo por aí muito boa gente a dizer que o PS não ganhou porque perdeu deputados para todos os partidos. Relembro: em democracia ganha quem tem mais votos! O PS é o vencedor destas eleições. O problema é que podia e devia tê-las perdido! E sejamos frontais: tal só não aconteceu porque, com muita pena minha, o PSD foi profundamente incompetente…

Foi incompetente quando não soube aproveitar a dinâmica de vitória criada pelo resultado das eleições europeias;
Foi incompetente quando não apresentou uma verdadeira renovação nas listas de candidatos a deputados;
Foi incompetente quando apresentou um programa dúbio, pouco claro e sem medidas verdadeiramente reformadoras;
Foi incompetente quando não aproveitou o interessante e inovador trabalho realizado pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e o Gabinete de Estudos do partido;
Foi incompetente quando assentou a sua estratégia na ideia de que “em Portugal não se ganham eleições, perdem-se”;
Foi incompetente ao desprezar o valor da imagem e energia mediática no Século XXI;
Foi incompetente quando se asfixiou na história da asfixia democrática que nenhum interesse tem para a resolução dos muitos problemas do país;
Enfim, foi um partido sério, mas incompetente nos momentos decisivos…
Tenho estima e admiração por algumas das pessoas que vêm conduzindo o PSD. Penso que Manuela Ferreira Leite foi fundamental para estancar a degradação de recursos humanos que minava o PSD de Menezes. No entanto, o PSD fez muito pouco para ganhar estas eleições. Parecia uma equipa de futebol a jogar para o empate. E, quando se joga para empatar, normalmente perde-se…


publicado por Francisco Proença de Carvalho às 00:25

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O PSD quer ser o quê?

O PSD quer ser o quê? Um partido de poder ou um partido autárquico?

(via Clube das Repúblicas Mortas de Henrique Raposo em 27/09/09)

1. A resposta a esta pergunta foi dada pela própria MFL: o PSD é, neste momento, um partido autárquico, que se preocupa em manter as redes locais de caciques. Mais nada. A declaração de MFL é ainda mais triste por causa disso. No fundo, MFL veio dizer o seguinte: "perdemos as legislativas, mas iremos vencer as autárquicas, logo, estamos bem". Isto, para um partido como o PSD, é dramático. Com este discurso o PSD deixa de ser um partido de poder nacional e passa a ser - oficialmente - uma confederação de caciques.



2. MFL não tem condições para continuar à frente do PSD. As listas foram uma miséria, sobretudo porque desprezou a gente nova. A campanha foi feita sem profissionalismo, e sem qualquer sentido político. MFL tinha muita razão do seu lado. Muita mesmo. Escrevi isso várias vezes. Foi a única com coragem para dizer que "não temos dinheiro", o "endividamento é um sério problema". Mas em política não chega ter razão no papel. É preciso pegar nessa razão e fazer um discurso político que entre na cabeça das pessoas.E MFL sempre desprezou esta parte da democracia. Não chega ter a razão técnica. É preciso falar com as pessoas. Democracia não é uma aula de economia ou de contabilidade.



3. A nova liderança do PSD tem de resolver uma coisa: o PSD é o quê? O PSD representa o quê ideologicamente? O PSD quer ser apenas uma desculpa para a existência de autarcas ou quer ser um partido liberal e reformista, assumindo claramente a defesa da sociedade contra o Estado?