Na campanha eleitoral de Bill Clinton à presidência dos EUA
em 1992 ficou famosa a frase “it’s the economy, stupid” que pretendia chamar a
atenção para o que realmente importava na captação de votos. Já no que respeita
às cidades, há aspectos básicos de vivência social adequados a uma cidadania
sã, como cuidar dos espaços públicos e do património, da saúde e educação, que
importa ser devida e permanentemente acautelados. Mas o que verdadeiramente define
a importância das cidades e as distingue das outras é a Cultura, por isso a
utilização adaptada do chavão de eleitoral que vai no título desta crónica.
Entre as instituições culturais relevantes de Coimbra, uma tem relevância excepcional, a Orquestra Clássica do Centro que completa, dentro de pouco tempo, 25 anos de existência contínua.
A música que se convencionou chamar “clássica” é uma das formas de arte mais importantes da História da Humanidade, em geral, mas da Europa em particular. Muitas cidades europeias apresentam, com justificado orgulho, as suas orquestras clássicas ou sinfónicas que as fazem distinguir das demais. É a essa categoria que a OCC faz Coimbra pertencer, ao proporcionar à sua população uma oferta musical que todos consideram essencial para uma Cultura que constrói Cidadania.
A OCC é de Coimbra, mas pertence a Portugal e ao mundo, já que estabelecer pontes é uma das suas preocupações fundamentais. Tem realizado concertos em Coimbra, mas também noutras cidades como Lisboa, Porto, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Figueira da Foz, ou muitas outras localidades como Condeixa-a-Nova, Mealhada, Tondela, Penedono, Soure, entre muitas outras. As suas ligações com cidades de outros países têm proporcionado deslocações a Cabo Verde ou Itália. No corrente mês de Agosto um agrupamento da OCC deslocou-se a Itália no âmbito do centenário da primeira apresentação da ópera Turandot de Puccini, em Lucca, na Toscana. De notar que a delegação da OCC foi recebida pelo prefeito da cidade italiana.
A OCC tem também estabelecido relações com diversos compositores portugueses contemporâneos de quem apresenta mesmo obras originais, fugindo assim ao reportório habitual dos concertos orquestrais, enquanto apoia os novos valores da música clássica. Destacam-se aqui os compositores Luís Tinoco, Eurico Carrapatoso, Sérgio Azevedo ou António Pinho Vargas.
A OCC manifesta a sua capacidade de atracção musical, mas também a vontade de se abrir ao exterior através dos maestros que, ao longo da sua existência, dirigiram a orquestra. Desde o primeiro e fundador essencial da OCC Virgílio Caseiro até ao actual maestro titular Sergio Alapont dirigiram a Orquestra, entre outros, José Eduardo Gomes, Luís Carvalho, Diogo Costa, Jan Wierzba, ou Rui Massena e também Gustavo Petri que dirigiu umas arrepiantes Bachianas Brasileiras de Heitor Villa-Lobos em Santa Clara-a-Nova com Coimbra como paisagem de fundo.
Mas as instituições não existem sem pessoas. E a OCC deve tudo a quem a fundou e dirige até hoje: Emília Martins, Mulher de uma dignidade inabalável, cuja vontade férrea, capacidade de trabalho e espírito de sacrifício dedicou por completo a que a nossa Cidade tenha uma Orquestra Clássica profissional. Claro que a seu lado teve sempre o Prof. Alexandre Linhares Furtado que, para além de Médico excepcional, é também um melómano exigente e conhecedor.
Muito para além de estar grata ao trabalho exigente e profícuo da OCC, Coimbra deve ter orgulho na sua Orquestra que a coloca num lugar destacado na Cultura nacional.
Publicado originalmente no Diário de Coimbra em 24 Agosto 2026
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