segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

JARDINS E MUITO MAIS



Coimbra ganhou um novo espaço de usufruição pública com muito significado.

De facto, o novo jardim construído pela Câmara em Montes Claros, veio ocupar de uma forma inovadora, um espaço com muita História, embora eventualmente desconhecida de muitos nós.

Ao contrário do que tem acontecido nas últimas dezenas de anos, um espaço vazio no interior de uma zona citadina consolidada e não resultado de urbanização recente, foi ocupado com um jardim e não “rentabilizado” com outra utilização. Por acaso, para aquele local até estava prevista a construção de um equipamento, no caso o Arquivo Municipal. O edifício teria cinco pisos e constituiria mais uma “carga” para uma zona urbana já muito utilizada, como tem acontecido por toda a Cidade, com as consequências que todos conhecemos. Exactamente o contrário do que foi feito, por exemplo nos anos setenta, com a construção da Biblioteca Municipal que foi ocupar uma fatia significativa da zona verde do parque da Sereia, vendendo a Autarquia para urbanização o espaço que lhe estava destinado e que fora comprado com esse fim ainda antes do 25 de Abril, na Av. Calouste Gulbenkian.

O que muitos conimbricenses talvez não saibam é que aquele espaço vazio ao lado da Av António José de Almeida foi originado pela demolição do antigo “Bairro Operário” que ali existiu, ao lado do que nessa altura era o antigo Matadouro Municipal, onde hoje está a Igreja de Montes Claros.

O “Bairro Operário de Santa Cruz” era constituído por pequenas moradias viradas para a Rua António José de Almeida e para a actual Rua João Porto, com pequenas hortas no espaço situado entre elas e terá sido o primeiro bairro deste tipo em Portugal. O “Bairro Operário” foi construído com as verbas provenientes da oferta da diocese ao Bispo D. Manuel Bastos Pina em Maio de 1895, no vigésimo aniversário da sua sagração episcopal, tendo o Bispo colocado como condição de aceitação do dinheiro a sua utilização com esta finalidade. Ao lado do bairro existia uma pequena capela, cujo retábulo do Altar-mor se encontra hoje na Igreja provisória de Nossa Senhora de Lurdes.

Trata-se, pois, de um local com muita História, sendo a utilização como jardim, incluindo um parque infantil, particularmente feliz. Mereceria talvez que fosse chamado “parque do bairro operário”, atendendo a que a rua que o ladeia se chama já, e muito justamente, rua D. Manuel Bastos Pina.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sangue, Suor e Lágrimas

Ainda do fundo da juventude, aqui vai uma pérola absoluta: I Love You More Than You'll Ever Know dos Blood, Sweat & Tears.
Os conjuntinhos de hoje bem podiam aprender umas coisas com esta gente.

ESTHER & OFARIM

E porque recordar é muitas vezes viver, do fundo da adolescência aqui fica uma reminiscência, hoje praticamente ignorada: CINDERELLA ROCKEFELLA

CREDIBILIDADE POLITICA (2)

O presidente da Câmara de Lisboa que, enquanto ministro rejeitou um parecer de Marcelo Rebelo de Sousa critico da lei sobre finanças locais de que foi pai babado, pediu agora ao mesmo Professor um parecer para rebater o acórdão do Tribunal de Contas que chumbou o seu pedido de empréstimo, com base na lei sua filha.
Confusos?
Não. É apenas mais uma valente machadada na credibilidade dos políticos que vamos tendo.

CREDIBILIDADE POLITICA (1)

O deputado que há poucos dias foi nomeado relator da comissão parlamentar encarregada da transposição da directiva europeia de combate ao branqueamento de capitais vai ser julgado sob a acusação de crimes de fraude fiscal e falsificação de documentos.
Numa altura em que a credibilidade da classe política anda pelas ruas da amargura, não podia haver melhor escolha para liderar aquela comissão da qual se espera algo mais do que uma simples tradução.


APOIOS NOTÁVEIS

A melhor notícia deste fim de semana é a declaração de apoio de Saramago a Zapatero. "Os bons espíritos encontram-se".

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

KOSOVO

A reacção dos sérvios à declaração de independência unilateral do Kosovo fez-me pensar qual seria a reacção dos restantes portugueses se o Minho ou o Algarve seguissem o mesmo caminho. E não me parece que alguém se desse à maçada de reagir, fosse de que forma fosse. Claro que haverá sempre quem diga que isso é um sinal de "modernidade", palavra tão cara aos líderes actuais, substituindo mesmo o "desenvolvimento".

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A "COISA" MATOU O AUTOR

O ex-ministro da Administração Interna que defendeu a necessidade de controlar os gastos e o endividamento das autarquias com a sua lei das finanças locais, viu virar-se o bico contra o prego e está agora a provar o seu próprio fel como presidente da Câmara de Lisboa.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A D. ALZIRA VÊ TE VÊ?

A entrevista do primeiro-ministro ontem na SIC foi tão bem preparada, tão bem preparada, que o alinhamento nem deu para colocar umas palavrinhas de conforto aos lisboetas sacrificados pelas inundações, não foi D. Alzira?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A D. ALZIRA SAIU PELA JANELA

(foto retirada do sapo)

Mais um dia de inundações em Lisboa.
No seu noticiário da noite, portanto muitas horas depois das chuvas e dos efeitos, somos bombardeados durante mais de meia hora, por directos e reportagens de casos concretos.
Numa dessas reportagens, ficámos a saber que a D. Alzira saiu de casa pela janela do seu quarto, e que a sua filha que vive ao pé, lhe prestou assistência. Esta notícia é o símbolo da incompetência jornalística que varre este país.
Total incapacidade de observação de um fenómeno, a não ser pela descrição de milhares de pormenores pontuais, que não explicam nada.
Ninguém pergunta nada aos presidentes das câmaras, nem aos responsáveis pela protecção civil.
Ninguém tenta sequer explicar porque é que nos casos mostrados, não aparece nenhum Mercedes ou BMW topo de gama, quase só se vendo opeis corsa.
E ninguém se lembra de que o ordenamento deste território coincide com mais de trinta anos de governação ou presidência de esquerda, com muita "defesa dos interesses das classes mais desfavorecidas". Dá vontade de vomitar.