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domingo, 1 de junho de 2008
FUTEBOL
Mas o que se passou hoje ultrapassou tudo o que me parece admissível.
Desde a manhã até praticamente à noite, das várias vezes que fui ver os canais generalistas de televisão, em todas elas lá estava a selecção nacional em todas as situações que se possa imaginar. A pé, de autocarro, no palácio de Belém, etc. e sempre com um senhor Madail à frente.
Eu até gosto, e muito, de ver um bom jogo de futebol, mas o que se passa é demencial e isto tem que ser dito.
Cheguei a ouvir alguém dizer que o Presidente da República teve a honra de ser o último a despedir-se da selecção ao sair para a Suíça...
As expectativas criadas são tão altas que a desilusão da primeira derrota vai ser muito difícil de gerir e irá somar-se à situação de depressão já existente.
Não seria muito mais prudente desejar-lhes simplesmente boa viagem e prestar-lhes homenagem quando regressarem se a sua prestação no campeonato for um êxito? Ao fim e ao cabo trata-se apenas de uma equipa de futebol e não de exército que parte para uma batalha.
PSD: a hora de Ferreira Leite

Perante a escassez da vitória de Manuela Ferreira Leite e o resultado para mim inesperado de Santana Lopes, o futuro do PSD não ficou claro, estando dependente de várias condicionantes para que se possa afirmar vitoriosamente perante a governação socialista.
Santana Lopes já se colocou na posição de oposição interna, mais uma vez provando que apenas se preocupa com o seu próprio futuro político, pouco lhe interessando o sucesso do próprio partido e até o futuro do país se não for ele a mandar.
Já Passos Coelho manifestou-se disponível para colaborar com a nova liderança, como lhe competia na sua opção por uma posição responsável e de futuro.
O conjunto das votações em Ferreira Leite e Passos Coelho permitirá que o PSD se afirme de uma forma suficientemente sustentada e forte. Para que tal suceda, será necessário que Ferreira Leite tenha a vontade e seja capaz de suscitar uma plataforma de entendimento e colaboração com Passos Coelho que permita um encontro no essencial sem deixar de respeitar as diferenças que obviamente existem.
Claro que Santana Lopes está fora de tudo isto, esperando apenas que tudo corra mal para apanhar os cacos. Só que se isso suceder, tenho a impressão que já nem cacos haverá para apanhar.
Está tudo nas mãos de Manuela Ferreira Leite. Como ex-mandatário de Passos Coelho em Coimbra felicito a vencedora desta eleição, tendo a noção clara de que as campanhas terminam no momento da votação, sendo obrigação estrita de qualquer militante, a partir desse momento, disponibilizar-se para colaborar nas soluções escolhidas em votações livres e democráticas não esquecendo, no entanto, que quem ganha as eleições é que deve governar e definir as escolhas até às eleições seguintes.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
XX@foreignministry.pt
Segundo o jornal Público de 28 de Maio, os diplomatas portugueses vão passar a ter um endereço electrónico em inglês, do tipo indicado em cima.Parece que os diplomatas não estão a gostar nada da ideia que visará uniformizar o endereço de e.mail qualquer que seja o país onde se encontre o diplomata. Daqui não virá mal ao mundo, mas é nestes pequenos pormenores que se verifica a sensibilidade perante a nossa língua.
Na realidade, uma instituição que tem particulares responsabilidades na área da defesa da língua no estrangeiro, como o Instituto Camões, não fica bem na fotografia quando se deixa levar por detalhes que podem ser bem significativos.
Como dizia Fernando Pessoa, “a minha Pátria é a minha Língua” e isso aplicar-se-à particularmente aos diplomatas portugueses em representação de Portugal nos quatro cantos do mundo.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
ACEGE EM COIMBRA
Ler a notícia do Diário de Coimbra, aqui.
terça-feira, 27 de maio de 2008
SAUDADE
Conheci o Dr. Marcelino Paiva quando me fez oral de matemática moderna no 7º ano no Liceu D. João III. Vim a reencontrá-lo muitos anos depois e a apreciar as infindáveis conversas sobre política e sobre pessoas. Sempre aprendi com ele. Ficaram célebres as suas manifestações de desagrado sempre que se apercebia que a política se desviava dos seus critérios éticos rigorosíssimos.
Na semana passada havia-me telefonado para marcarmos um encontro esta semana, talvez mesmo para jantarmos juntos e conversar.
Ontem a sua vida e a de sua mulher tiveram um fim abrupto num desastre de automóvel ainda mais estúpido que os outros desastres. Segundo o jornal, o carro despistou-se por ter apanhado um derrame de gasóleo no pavimento. Ainda segundo o jornal, fonte policial adiantou que tal ocorrência é frequente naquela estrada, porque as pessoas vão buscar gasóleo agrícola perto e transportam-no em contentores não vedados que o derramam na estrada com toda a facilidade.
Lê-se e não se acredita: em que raio de país estamos nós em que isto sucede, a polícia tem conhecimento sem actuar e comenta-o para os jornais sem qualquer problema e, pelos vistos, sem quaisquer consequências?
Dr. Marcelino, já temos saudades da sua voz e falta do seu conselho amigo.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
INVESTIR EM INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Se existe área em que se deve investir fortemente para que a nossa pobre economia saia do marasmo em que tem estado nos últimos anos é precisamente no incentivo à inovação empresarial, designadamente através da colaboração entre as escolas superiores e as empresas. Ao contrário do investimento em grandes obras públicas, este é um investimento que dá frutos a longo prazo de forma continuada e não meramente pontual, contribuindo não só para o crescimento, mas também para a melhoria da competitividade nacional.
Acresce que esses incentivos à investigação e desenvolvimento se podem espalhar por vários sectores económicos, não se ficando por um sector específico, o que é sempre perigoso a longo prazo.
O exemplo da BIAL é paradigmático e devia ser conhecido por todos nós, para se perceber a que me refiro.
A BIAL é a primeira empresa farmacêutica portuguesa a desenvolver e colocar no mercado um medicamento inteiramente novo a nível mundial, o que deverá suceder já no próximo ano. O desenvolvimento deste medicamento durou mais de treze anos; pelo caminho ficaram centenas ou milhares de moléculas que tiveram de ser estudadas e abandonadas até se conseguir desenvolver uma com potencial médico.
Para conseguir este resultado a BIAL tem um centro de I&D com 79 pessoas, das quais 17 doutoradas de 8 nacionalidades onde investe por ano 20 milhões de euros. Por outro lado, mantém contratos com mais de 40 instituições de I&D em todo o mundo. Por exemplo, o novo medicamento que vai surgir na área da epilepsia, foi desenvolvido mediante uma estreita colaboração com o Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra.
Infelizmente, o apoio estatal a I&D é em Portugal muito reduzido, ao contrário do que deveria acontecer. O valor é de cerca de 2,1%, quando na União Europeia é de 7,9% e nos EUA de 9,4%.
O Estado deveria, pelo menos, reduzir os impostos para quem investe em I&D, a exemplo do que acontece em Espanha. Deveria também prever subsídios a fundo perdido para as empresas que criem núcleos de inovação.
A modernização do tecido empresarial português, para além da necessidade de marketing e criação de mais valor em produtos exportáveis, passa muito pelo investimento em I&D para ser mais competitivo e poder inverter esta fase de empobrecimento que já dura há tantos anos.
Publicado no Diário de Coimbra em 26 de Maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
LIBERALISMO
Pura hipocrisia.
No CDS é patente que a actual liderança está nos antípodas das ideias de Lucas Pires.
No PSD, bastou Passos Coelho referir timidamente algumas propostas liberais para ser literalmente comido pelos supostos defensores da social-democracia contra o liberalismo.
Será que este país tem mesmo que passar por uma situação de total penúria e desgraça colectiva para que se perceba a absoluta necessidade de libertar os portugueses da canga do Estado que não deixa crescer a economia?